CONTOS DO VELHO FUDIDO...

ENSINA-ME A MORRER
conto registrado por Ronaldo Soares de Oliveira
Entreolharam-se e surpreenderam-se por desenvolver o mesmo passatempo... Mas vejamos a história deles. Saffira era o seu nome (com dois efes, ela insistia). Tinha 27 anos e saíra de um relacionamento com um fim trágico. Ricardo, 54 anos, teve um matrimônio conturbado que não passou dos 4 anos. Foi aposentado precocemente por conta de um AVC que o deixou com a mão direita imobilizada.De repente, decidiu que não mais perderia as tardes jogando damas com idosos na pracinha. Foi para o metrô e se encantou com a multidão. Entrava num vagão e descia quatro estações depois... Gostou e fez disso o seu passatempo diário. E adquiriu o hábito de perceber paqueradores; passageiros discretos; abusados, que se encostavam maliciosamente nas mulheres como quem não quer nada; ladrões, típicos por ficarem colados às bolsas dos passageiros ou espiando os desatentos que se esqueciam de vigiar mochilas e sacolas no chão... E, quando o marginal se preparava para saquear a vítima, ele entrava em ação tossindo na sua cara, fazendo-o desistir…
A vida de Saffira tinha um toque mais dramático. Aos 16 anos foi estuprada pelo padrasto. “Abrindo-se uma pessoa pode-se encontrar as mais tristes paisagens...” Assim ela se sentia em relação à violência sofrida. Saiu de casa e trabalhou como doméstica em várias casas. Concluiu o segundo grau, à noite, pelo Supletivo e passou a viver com a avó, que era paupérrima. Logo, em seguida, para evitar despesas foi para casa de uma tia, mas por pouco tempo. Num emprego pouco melhor, no comércio, conseguiu alugar um quartinho mais que modesto e até prestou vestibular para Matemática, que ela adorava... Mas não se classificou para a faculdade pública…
Teve apenas dois namorados e passou a morar com o segundo, por quem se apaixonou. Mas tudo acabou quando ele morreu prensado pela porta defeituosa de
um vagão do metrô. “A sensação desta morte sofrida se confunde, até hoje, com uma imagem que vai permanecer para sempre”, desabafa. Desde então ela nunca mais teve qualquer relacionamento amoroso... E, após o trabalho, começou a circular pelos vagões do metrô até às 22 horas e ia dormir. Para Saffira havia pouca ou nenhuma esperança por dias melhores.
“A VIDA É COMO AS RODAS DE UM TREM.
NUNCA ESTÁ NO MESMO LUGAR”
Descobriram-se ao descer e subir dos vagões inúmeras vezes. Apresentaram-se e entraram na lanchonete de uma estação. Solicitaram seus lanches: Saffira pediu chá preto com um pastel de cenoura, que não havia. Tomou apenas o chá. Ricardo pediu uma latinha de cerveja. Ela se definiu como uma “incompreendida”... E andar pelos vagões se tornou uma experiência muito divertida. Além do que – observava – “tenho salvado muitas bolsas...”.
Ambos retomaram o trem. E assistiram a uma cena inusitada: um casal discutia ferozmente, chegando a trocar tapas, quando o rapaz começou a rasgar as folhas do que parecia ser um diário. Uma das folhas caiu aos pés de Saffira, que a recolheu. O papel dizia, em letras trêmulas, “preciso deixar-te. Não dá mais para aguentar...”. Tal leitura indicou o porquê da briga. Saffira adiantou-se para intervir. Em seguida, chegou Ricardo. Eles argumentaram que a discussão era inútil, pois já haviam lido uma das razões da moça... Eu tenho experiência – arrematou Ricardo – “vivi quatro anos com uma mulher que eu amava e, de repente, tudo se desfez. A solução foi a separação, sem atritos...” Saffira foi mais direta e acrescentou que “quando um casal chega a este nível, incluindo tapas, é inevitável a separação.”
A reação não foi das melhores. O rapaz, apontando o dedo para o rosto de Saffira, disse raivosamente, antes de pular do vagão: “vai-te fuder!” deixando a mulher dele chorando. Pronto! Descobrimos outro “serviço de trem”... Vamos prestar solidariedade à moça – disse Saffira. Ricardo concordou. A jovem se chamava Angélica e devia ter uns 21 anos. Perguntaram na aonde desceria? A resposta os deixou perplexos. “Vou ficar andando neste vagão até às 23 horas, quando o Mário retorna para casa; pois não tenho a chave do apartamento.” Mas, então, você vai voltar para ele? – perguntou Saffira. Sim, vou. Não tenho alternativa, respondeu
Angélica. Saffira sussurrou para Ricardo, em tom de brincadeira: “que tal a moça juntar-se a nós nas trocas de vagões?” Ricardo deu um sorrisinho maroto e disse pra Angélica sentar-se, recompor-se e esperar. E assim foi. Às 23 horas, ela partiu para o seu drama rotineiro...
Ambos eram fãs de novela. “Algumas” com a qualidade do bom cinema, concordavam... Falando em cinema, ela diz adorar o cinema americano, especialmente as comédias leves. E achava interessante sempre haver atores negros nos filmes. Mas admirava também o cinema brasileiro e citava “Tropa de Elite”, que assistiu duas vezes. Ricardo elogiava o cinema francês, principalmente o “antigo” (o qual Saffira, pela idade, não conhecera). Gostava das boas histórias, com uma pitada realista, das belas trilhas sonoras, da inesquecível Catherine Deneuve, Alain Delon... E aproveita para lembrar que Saffira tem “o narizinho deliciosamente empinado como a atriz francesa Juliette Binoche”. Pelo que, ela graciosamente agradece.
Ricardo aproveita a observação de Saffira sobre os negros no cinema americano e salienta que “as novelas e filmes brasileiros se parecem com produções dinamarquesas. Todos os atores são brancos, com raras exceções. Especialmente nas novelas...” Ao que Saffira admite que “nunca tinha pensado nisso, mas é uma verdade escandalosa.” Saffira observa, ainda, que no shopping onde trabalha raramente vê uma atendente negra nas lojas. No seu trabalho mesmo não há nenhuma. Ricardo lembra com amargura que um grande colega seu, negro, certamente um dos mais abnegados e inteligentes da empresa em que trabalhava nunca foi promovido. E quando “eu deixei a chefia devido ao derrame cerebral, a vaga que deveria ser dele foi dada a um funcionário reconhecidamente menos qualificado...” E concluiu: “E mais da metade da população brasileira é de negros e mulatos...”
Nunca haviam ido à última estação. “Sonho que na última estação vou encontrar lindos pássaros e anjos. E, assim, acabar com a minha tristeza”, desabafa Saffira. Ricardo, que era ateu (ou à toa, como brincava) disse que pássaros ela poderia encontrar, mas anjos nunca. Ela era levemente católica e não gostou do comentário. Mas não chegaram a discutir, pois ambos não davam muita atenção para religião. “Depois da morte do meu namorado sou menos que um fragmento do
que já fui...” – assim ela resumia o que sentia. Ricardo desculpou-se e, com um olhar meigo, diz que "a dor nunca se separa da memória..."
O trem foi engolindo trilhos até que surgiu a última cidadezinha da linha. Conheceram casas e ruas superficialmente, mas gostaram do que viram. Especialmente do silêncio do início da madrugada. Passearam pelas ruas bem cuidadas e Saffira imaginou as coisas sinistras que estariam acontecendo dentro de certas casas... E coisas belas também – disse o otimista Ricardo. Entrelaçaram as mãos e se afastaram bastante da estação. Ricardo tentou trocar de lado (pois constrangia-se com o não funcionamento da mão direita). Ela se antecipou: “observei que você tem um pequeno defeito na mão. Mas quem não tem algum defeito?” Ricardo desistiu de trocar de lado e arriscou a pergunta contida: “vamos procurar um hotelzinho, já que perdemos o último trem...” Saffira, num ímpeto, separou as mãos e retrucou: “você é como todos os homens. Só quer aproveitar da situação!” Ele, constrangido, afirmou que não. E concluiu argumentando que o trem só voltaria a circular às 5 horas da manhã. Saffira concordou desde que dormissem em quartos separados. Ele assentiu com a cabeça e encontraram um hotel barato.
No momento da inscrição no balcão, para a surpresa de Ricardo, ela pediu para o atendente um único quarto. Mudos, sentaram-se na estreita cama de casal. E Ricardo a tranquilizou: “não vou forçar a barra...” e foi fazer a barba. Ela adormeceu e ele ficou minutos admirando, extasiado, o rosto meigo de Saffira... De repente, ela ergueu os braços, abraçou-o e disse suavemente: “eu não faço sexo há anos. Seja delicado comigo...” Ricardo enlaçou-a com toda a ternura e sentiu a adolescência em seus braços. Fizeram amor inicialmente com timidez; em seguida, desenfreadamente... Depois, exaustos, relembraram os momentos vividos no trem. E ela observou: “não me faça perguntas sobre o passado, por favor...”
Ricardo, timidamente, se encheu de coragem e perguntou se eles poderiam viver juntos, ter filhos, uma casa... E se a diferença de idade seria um obstáculo? Ela o interrompeu colocando a delicada mão em sua boca, acrescentando que “a diferença de idade nada representava, mas era muito cedo para uma resposta." Lembrou que às 8 horas deveria estar no trabalho, virou-se e dormiu. Ele vibrou com uma perspectiva positiva e não conseguiu dormir. Seis horas. O modesto hotel não
possuía serviço de quarto. Ele olhou aquele corpo franzino, pleno de juventude, beijou-lhe a face e desceu em busca de uma padaria.
Depois de muito procurar, finalmente encontrou o pastel de cenoura que Saffira tanto desejava. Comprou três e retornou com chá preto bem quentinho para dois. Saffira ficou radiante com os pastéis de cenoura e insistiu para que Ricardo comesse um. Emocionada, disse brincando que ele, agora, era o mais novo natureba da paróquia...
Arrumaram-se e deixaram o hotelzinho. Tomaram o primeiro trem que deixava a estação, e como os passageiros ainda sonolentos, quedaram-se abraçados num banco. Chegando ao final da linha, no centro de Porto Alegre, antes que Saffira se dirigisse para o trabalho, Ricardo pediu para irem à uma lanchonete. Sentaram e ele pediu uma lata de cerveja que bebeu com indescritível satisfação. Ela o criticou por consumir álcool àquela hora e ouviu a seguinte resposta: “para que se privar de pequenos prazeres? Afinal, a vida é como as rodas de um trem. Nunca está no mesmo lugar...”
Ela balançou a cabeça discordando e pediu que ele a acompanhasse até o ponto do ônibus para o trabalho. Eles andaram lentamente e, antes que chegassem no outro lado da rua, um pesado caminhão os atropelou violentamente. Os dois ainda se olharam por segundos e ele balbuciou: “não disse que a vida nunca está no mesmo lugar. Agora ela cede lugar para a morte." Ao que Saffira responde com um restinho de vida: “o metrô não será mais o mesmo...”.
CONTO-VERDADE
CHICO BUARQUE ESQUECEU
DAS "TENEBROSAS TRANSAÇÕES"
(texto de Ronaldo Soares de Oliveira, que adora o Chico e pede-lhe desculpas se o ofendeu.)
REFIRO-ME À GENIAL CANÇÃO "VAI PASSAR"
EM QUE CHICO CONDENAVA AS "TENEBROSAS
TRANSAÇÕES" OCORRIDAS NOS ANOS 70, OS
"ANOS DE CHUMBO", E AGORA FECHA OS
OLHOS PARA AS CONDENÁVEIS TRANSAÇÕES
QUE O PT, JUNTAMENTE COM OUTROS PARTIDOS
QUE SEMPRE ROUBARAM... SÓ QUE O PT,
SEMEADOR DA ESPERANÇA E HONESTIDADE,
NÃO PODERIA RASGAR A SUA SAGRADA
BANDEIRA E MENOS AINDA ADOTAR UM
DESPREZÍVEL POPULISMO. DO ALTO DO SEU
INEGÁVEL CONCEITO, O CHICO DEVERIA
EXIGIR A REFUNDAÇÃO DO PARTIDO.
Para o excelente Chico Buarque que não se exprime só para ficar mais rico.
Que não compõe canções com subalternos fins, para atrair atrizes; para papar
manequins; que não importa carro pra sair na Caras; que não pega seu fã pra
Zé Mané; que arriscou o couro sob a ditadura; que da canção social não foge;
não se exime; que muito embora tenha uma cara de bobo, não é nenhum
boneco fabricado na Globo.
Quando os Renans proliferam, quando os Cunhas chovem, mirar-se no exemplo
de Chico era melhor pros jovens. Pena que a juventude em boa parte esteja
tropeçando na boca, rezando noutra igreja como que a confirmar a visão curta
de fã, sentadinho no colo do sinistro Tio Sam. É difícil lutar contra tanta
desatenção; contra tanta renúncia. Contra todo um sistema colonial e perverso,
contra todas as forças do infindo universo.
Como arrostar o lixo que nos chega do frio? Sem vestígios sequer de uma virtude-
brio? Bem ou mal, o Vietnam com todo o seu atraso, nos ensinou o que
se faz no caso. Mas será que aprendemos? Levantamos a saia quando o gringo
safado invadir nossas praias? É de temer que um dia isso acabe numa zona;
gerenciada, quem sabe, por madame Madonna.
Voltando ao grande Chico: é bonita a gratidão ao PT que um dia plasmou as
idéias do poeta; mas quando Lula e o partido tornaram-se corruptos e foi virando
tudo pelo avesso como uma quadrilha idêntica a todos os outros (ou pior) não
tava na hora, Chico, de abandonar o barco? Ou tentar aprumar a estrela dantes
tão altiva? Ou, então, recolher-se às suas lindas canções?
tudo pelo avesso como uma quadrilha idêntica a todos os outros (ou pior) não
tava na hora, Chico, de abandonar o barco? Ou tentar aprumar a estrela dantes
tão altiva? Ou, então, recolher-se às suas lindas canções?
Preferiu calar-se. Você, Chico, um intelectual politizado que não abandonasse o
partido mas bradasse pela sua refundação, lembrando um dos seus mais
perfeitos e significativos versos celebrizado na incrível canção "Vai Passar"; em que
vomitava a contundente frase que lamentava "afundar o Brasil em tenebrosas
transações onde seus filhos erravam cegos pelo continente." E agora,
igualmente, o PT de que você não se desgruda e nem faz força para mudar é
engolido pelo mais atrasado populismo ao invés de dar consciência de classe aos
trabalhadores...
partido mas bradasse pela sua refundação, lembrando um dos seus mais
perfeitos e significativos versos celebrizado na incrível canção "Vai Passar"; em que
vomitava a contundente frase que lamentava "afundar o Brasil em tenebrosas
transações onde seus filhos erravam cegos pelo continente." E agora,
igualmente, o PT de que você não se desgruda e nem faz força para mudar é
engolido pelo mais atrasado populismo ao invés de dar consciência de classe aos
trabalhadores...
VIAGEM NO TEMPO PARA
ENCONTRAR CABRAL texto registrado por Ronaldo S. Oliveira
E eles foram encolhendo... encolhendo... encolhendo...
E eles foram encolhendo... encolhendo... encolhendo...
Era um cientista de 35 anos. Obsessivo no que fazia, decidiu que faria uma "Máquina do Tempo". Trabalhou inúmeras noites e madrugadas. De dia cumpria 12 horas no emprego para compensar as folgas dedicadas ao seu projeto. Não se permitia tempo para comer adequadamente... Estava magérrimo. Depois de anos, numa manhã cinzenta ele concluiu a Máquina. Estava pronta. Reluzindo! Deixou um recado gravado anunciando o fato num canto do laboratório, pegou uma quantidade de comida e refresco desidratados e regulou a máquina para o século
16. Justo para o dia da chegada de Cabral no Brasil, pois era fascinado pelo feito do navegante português...A máquina produziu um barulho ensurdecedor e sumiu rumo ao desconhecido. Após uma semana, pousou serenamente. Algo deve ter dado errado, pois estava cercado de carros e edifícios. Do litoral cheio de índios da Era Cabralina, nada!
Camuflou a sua máquina e resolveu perambular pela cidade. De repente, viu- se defronte a uma vitrine espelhada e surpreendeu-se. Havia adquirido uma aparência muito, muito mais jovem. Aproximou-se de uma banca de jornal e leu numa capa a seguinte data: 20/10/1914! Viajara cem anos... E rejuvenescera! Murmurou decepcionado: "Que droga! Estou longe do Descobrimento do Brasil." E logo conformou-se, pois a sua aparência perdera, pelo menos, uns 10 anos.
Perambulou pela cidade e, vaidoso, notou que chamava a atenção das mulheres... E acabou parando, aleatoriamente, numa fila de bonde. Meio sem jeito, perguntou à jovem à sua frente que idade ela daria pra ele? Vinte e cinco anos,
respondeu a moça com naturalidade. O seu corpo estremeceu e ele observou que o leve grisalho do cabelo desaparecera. E encorajado pela transformação, arriscou um convite: "Podemos passear um pouco?" Ela concordou e eles passearam pela cidade e foram parar num bar. No momento de pagar a conta, surpreendeu-se com a recusa do garçom em aceitar suas notas. Notas de um século depois... Dinheiro totalmente desconhecido.
A jovem pagou a conta e ele foi explicando o inexplicável para uma incrédula ouvinte. Como argumento definitivo, levou-a até a Máquina do Tempo convencendo- a em parte. Ela, numa atitude ousada, pediu para ele acionar a máquina, "para dar uma voltinha..." Como ele tinha esperança de presenciar a aventura Cabralina, não pensou duas vezes e, desta vez, ajustando os comandos e relógios minuciosamente, deu a partida.
E algumas semanas depois, a uma velocidade espantosa, a nave pousou a
250 metros das caravelas. A Máquina do Tempo e as roupas do casal de tripulantes encantaram os índios e maravilharam os portugueses que ficaram mais felizes ainda ao descobrirem que os visitantes falavam português. Logo se tornaram o foco dos olhares perplexos de todos. O litoral paradisíaco, índias e índios nus e portugueses afogados em fofas golas europeias, apesar do calor, faziam o contraste com a inusitada Máquina do Tempo.
Ao ser rezado a 1ª Missa, o frade afirmou, em solene sermão, que Deus fez descer um enviado celeste para coroar o Descobrimento... E todos se curvaram diante da Máquina do Tempo, a esta altura mais importante que a cruz. Mas um fato inesperado ocorreu. Em decorrência do tempo que regrediu os dois tripulantes da Máquina foram rejuvenescendo... rejuvenescendo... E viraram bebês, para a alegria dos índios e a fé dos portugueses!
Pero Vaz de Caminha, o escrivão da frota, escreveu para o Rei de Portugal: - Majestade! Saiba que o nosso esforço foi coroado de sucesso e abençoado por Deus que até enviou uma bola de ferro como presente e dádiva para a Nova Terra... E dois anjinhos lindos que "estão a encolher… a encolher..."
DIVINA PROSTITUTA conto registrado por Ronaldo Soares de Oliveira
Ela entra seminua no quarto mal iluminado. Aparentemente, nenhum sinal de vida. Aos poucos, gemidos de satisfação enchem o ambiente. O homem de meia-idade, paraplégico, exulta com a chegada de Ana Clara. Com voz suave, ela o cumprimenta e lhe dá um suave beijo na face. Ela toma a iniciativa estreitando-o contra si. E inicia uma das sessões programadas para a semana.
Já agora, nua, Ana Clara ergue uma das pernas do seu "cliente" (entre aspas por que ela não gosta da palavra "cliente"). Ana Clara prefere a palavra irmãozinho. E é assim que ela trata os seus muitos irmãozinhos. Ela aceita uma oferta mínima pelos seus serviços, quase uma esmola; e se a família não tem recursos, Clarinha - como todos a tratam - nada cobra.
Persegue os passos de São Francisco de Assis, como devota e praticante. Só que, ao invés de repartir o pão, Clarinha reparte o seu corpo. A igreja Católica ao saber disso, passou-lhe uma reprimenda pública divulgando no jornal a "imoralidade dos atos", no que foi seguida pelos pastores evangélicos…
Ao que Clarinha deu de ombros justificando o que faz como uma obra da mais alta humanidade... E se Deus existe - afirma - estou mais perto dele que estes religiosos hipócritas. E ergue a perna inerte do seu irmãozinho praticando-lhe um delicioso boquete, seguido de uma estimulante penetração. O que ela consegue cavalgando o parceiro com comovente habilidade... Após alguns minutos de santificada paciência, o irmãozinho geme de tesão e ejacula.
Clarinha não abandona a cama rapidamente como uma profissional convencional. Ela passa as mãos com suavidade sobre o corpo do parceiro, beija-o pelo rosto, relaxando-o... Só então dá por encerrada a sua missão.
Despede-se e vai ao encontro do familiar do irmãozinho, quando recebe módica compensação; e segue a sua inusitada rotina. Mas há uma conspiração em andamento contra Clarinha. Pastores influentes que dominam - e muito - as consciências das pessoas da pequena cidade do interior determinam uma virada na vida de Clara. Após os cultos, os pastores se deslocam em procissão até à frente da casa dela e passam a hostilizá-la: "Acabem com a Messalina!"; "Basta de Imoralidade!”; "Esta Mulher Ofende a Deus!"; "As Famílias que Recebem os Serviços de Clara são Impuras!" E o cartaz mais agressivo dizia: "Pro Inferno os Aleijados de Clara!" Só faltava jogá-la numa fogueira. Se bem que alguns fundamentalistas bem que gostariam... Sua casa foi apedrejada e sua saída à rua era um tormento.
Para a tristeza dos seus irmãozinhos, Clarinha teve que parar suas atividades. Eles entraram em depressão e muitas famílias ousaram levá-los, furtivamente, a lugares insuspeitos ao encontro de Clara... Mas também não durou muito. Foram descobertos e a punição foi bárbara: os doentes foram impedidos de sair de casa e Clarinha embarcada, à força, num trem de destino ignorado. A cidadezinha, para a alegria dos pastores, ficou em aparente paz. Os comentários cessaram e os paralíticos, estigmatizados, ficaram trancados em casa…
Passaram-se 4 anos e, súbito, um terremoto devastou a cidade, aleijando parte dos moradores. Penosamente tentavam reconstruir suas casas. O que mais se via nas ruas eram pessoas em cadeiras de rodas. Entre os voluntários que desciam do trem lotado de socorristas e material de sobrevivência, uma figura conhecida: Clarinha pronta para ajudar. De óculos escuros, ninguém a reconheceu.
Enfermeira de recente formação, Clara não descansava. Mas sabe-se lá como, alguns dos antigos irmãozinhos a reconheceram. E a notícia se propagou. E os tetraplégicos, paraplégicos e feridos terminais reuniram-se no que restou de um templo e decidiram: "vamos chamar Clarinha para diminuir as nossas dores!"
E a aclamaram como Santa Clara dos Desvalidos! E muitos irmãozinhos pediam, discretamente, que ela voltasse à antiga atividade. Clarinha dizia que sentia muito, mas deveria voltar para a sua nova cidade dentro de uma semana. Mas que ia pensar... Em todas as casas onde houvesse um enfermo, ostentava na frente uma cadeira de rodas ou uma muleta iluminada por uma vela.
Durante esta derradeira semana na cidadezinha ela ainda trouxe algum conforto sexual para uns poucos irmãozinhos, especialmente os mais deprimidos. Mas a intolerância religiosa foi rápida. Liderados por pastores enfurecidos, uma multidão fanática raptou Clarinha; agrediram lhe, raparam-lhe os cabelos, e jogaram- na seminua na estação ferroviária. Em volta do seu pescoço penduraram um cartaz onde se lia: "NÃO VOLTE NUNCA MAIS, SATANÁS!”
A notícia se espalhou rápida e a cidade toda logo estava na estação. Uns apoiavam a fúria dos pastores; e outros, temerosos de tomar posição, apenas olhavam o corpo indefeso de Clara. Um menino, de uns oito anos, piedosamente cobriu o corpo com um pedaço de papelão. Uma chuva fininha foi engrossando, mas ninguém arredava pé.
Foi quando surgiu uma coluna de cadeiras de rodas que abriu caminho em direção à Clara. Os cadeirantes acolheram-na com carinho, vestiram-na, ajeitaram o que restava dos seus cabelos e conduziram-na para um vagão do trem. Suplicaram ao maquinista e outros funcionários que a tratassem bem e deixaram uma robusta sopa com a recomendação de que a deixassem repousar até a cidade grande. A locomotiva partiu deixando os participantes da coluna de cadeiras de rodas tristes e cabisbaixos…
A chuva engrossou e as ruas viraram um lamaçal. Muitos voltaram para reconstruir suas casas. Poucos reconstruíram suas mentes. A coluna de cadeiras permaneceu durante algum tempo na estação até o trem sumir no horizonte. Uma mulher, entre os cadeirantes, murmurou: "lá se vai à verdadeira Santa Clara..."
conto-verdade
ESTUPROS, UMA BOA LEI
E UM JUÍZ CONTRADITÓRIO
(Texto de Ronaldo Soares de Oliveira, publicado em 02/12/2014, no blog "Classificados Grátis e muita Bronca")
A violência sexual contra as mulheres (leia-se estupro) nasceu com o "decobrimento do
Brasil". Neste primeiro momento os portugueses estupravam as indígenas até
valendo-se da poligamia daquele povo. Com a importação dos escravos negros caçados na África foi a vez da mulher negra servir à cozinha e à cama do senhor igualmente estuprada.
Durante certo tempo no Brasil, há cerca de 25 anos, o marido tinha direito de usar o corpo da mulher (mesmo contra a vontade dela); e há uns 10 anos no Direito Brasileiro o estuprador que casasse com a estuprada, sua vítima, ou ela casasse com um terceiro estava extinta a punibilidade do crime. Ou seja, arranjando um marido para moça, estava tudo "resolvido". Então, o ministro Gilmar Mendes, do STF, derrubou esta lei absurda impedindo a extinção da pena, o que foi um grande ganho para o convívio social.
Mas o ministro é um tanto contraditório. Neste ano de 2016, o mesmo magistrado Gilmar Mendes concedeu habeas corpus para o médico Roger Abdel Massih, condenado a 278 anos por 58 estupros contra pacientes suas durante tratamento de fertilização artificial. Diante dessa medida inusitada, a jornalista Mônica Iozza publicou no instagram a seguinte expressão de opinião: "Não sei o que esperar de Gilmar Mendes"... dentre outras farpas não configuradas como "crime de imprensa".
Foi o suficiente para o ministro Mendes processá-la e obter ganho de causa por determinação do juíz Giordano Resende Costa. A jornalista foi condenada a pagar
R$ 30.000,00! Pelo que centenas de pessoas, através das redes sociais, estão protestando. Mônica vai recorrer.
Quanto às mulheres espancadas, elas encontram socorro na Lei Maria da Penha que agora
ganhou um reforço: a mulher espancada que comunicar a agressão à polícia já não pode
retirar a queixa e o marido espancador é obrigado a ficar distante da esposa por 300 metros.
De avanço em avanço a felicidade e segurança das mulheres está prosperando. Que o digam as feministas...
CONTO-VERDADE
O ALUNO COMPARECEU À AULA DE CHINELOS
E O PROFESSOR SURGIU CALÇADO NA INTOLERÂNCIA...
E O PROFESSOR SURGIU CALÇADO NA INTOLERÂNCIA...
A vida mais uma vez imitou a arte, mas de maneira oposta. Vejamos: o vice-diretor do Centro de Ensino Fundamental de Arapuanga, em Planaltina, Brasília, "professor" JORDENES FERREIRA DA SILVA, 45 anos, fez exatamente o oposto do verídico professor PAT CONROY que, devido à dificuldade que os alunos da miserável Ilha de Yamacraw, na Carolina do Sul, tinham em pronunciar o seu nome o chamavam por CONRACK. A vida do professor resultou num filme que todo o educador deveria assistir, o qual pode ser encontrado no YouTube.
Mas antes de resumir a edificante história de CONRACK, narremos o bizarro episódio envolvendo o "diretor" da escola de Planaltina: foi agora, em fins de novembro de 2016, que o "professor" Jordenes Ferreira da Silva ao deparar-se com um aluno de 12 anos calçando "simplesmente" chinelos imediatamente tomou a seguinte atitude: repreendeu-o com desmedida energia, humilhou-o na frente dos demais alunos e mandou-o descalço para casa colocar um calçado "decente". Mas antes deu-lhe um pizão no pé!
Uma funcionária anônima filmou a cena com o celular e denunciou o fato para o Conselho Tutelar que, felizmente, logo constatou o fato na escola. Além das imagens, o Conselheiro ficou sabendo que o vice-diretor submetia alunos, professores, monitores e demais funcionários a situações vexatórias; o que motivou-lhe a prisão em flagrante.O vice-diretor Jordenes Ferreira alegou em sua defesa - pasme! - "o cumprimento da disciplina", pelo que o Conselheiro disse que tal falta deve ser punida imediatamente com base no Estatuto da Criança e do Adolescente e a pena, se tudo for confirmado, pode ser de 6 meses a 2 anos.
Mas o "professor" não ficou um só dia na cadeia pois, segundo a Secretaria de Educação, apenas se o caso ficar provado que o "professor" se excedeu ele responderá a um processo administrativo. Enquanto isso ele permanecerá na escola com a sua rotineira e impune arrogância...
AGORA VEJA A VIDA INCRÍVEL E
VOCACIONADA DO PROFESSOR CONRACK
O professor Conrack, interpretado no filme do mesmo nome, por Jon Voight, pai da atriz Angelina Jolie, é baseado na história real ocorrida em 1969 na Ilha de Yamacraw, Carolina do Sul. Seu nome era Pat Konroy e devido a dificuldade que os alunos da miserável Ilha tinham em pronunciá-lo ficou conhecido como Conrack.
O professor chega na paupérrima ilha para lecionar numa escola de crianças negras. Toda a ilha é habitada por negros pobres, com exceção de uma pequena comerciante, a sra. Scott que é diretora da escola pouco maior que uma cabana. Todos são analfabetos, não sabem contar e desconhecem em que país vivem.
Conrack tenta dar-lhes uma educação de melhor nível, mas encontra obstáculo na sra. Scott que chama os alunos de lentos e preguiçosos, liquidando a autoestima deles. Ela acredita na pedagogia do chicote; Conrack responde jogando fora o livro de regras e lições "pedagógicas". Os alunos ficam encantados quando lhes é mostrada a música clássica, filmes, natação e a importância de escovar os dentes. O chefe dele, o sr. Skeffington que mora numa cidade próxima começa a ficar insatisfeito com os métodos de Conrack que afirma que o racismo é o culpado pelo desinteresse dos estudantes, o que contraria o seu chefe...
Ele passa um filme que mostra o eterno dilema e confronto entre o Novo e o Conservador, entre a Autoestima (e a falta dela)... e o desconhecimento do mundo. As cenas remetem à metáfora do pescar, que é um exercício de paciência, com o ato de educar (invertendo a posição do anzol por um ponto de interrogação). Quer dizer, o verdadeiro professor é aquele que mais coloca dúvidas do que certezas em seus alunos, o que estimula a pensar e pescar ideias... A sra. Scott, assim como o diretor da escola de Brasília, exige "disciplina e respeito" porque, segundo ela a escola não é "parque de diversões". Ao que Conrack contesta mostrando que o ato de educar pode ser um diálogo divertido, desde que se saiba conduzir brincadeiras com sentido pedagógico. Há que sempre se incentivar o debate, dando vez e voz ao aluno, e os resultados serão surpreendentes, desde que o professor domine o conteudo... O chefe dele, revoltado, não considera "aquilo ensino e sim palhaçada..."
A sra. Scott não acredita em máquinas para educação (é conteúdista). Conrack também não acredita, se tais equipamentos forem tratados apenas como máquinas e não como possibilidades de interação entre pessoas na sala de aula ou após o horário escolar entre outras pessoas mundo afora. Ele abusa da afetividade e carinho, pois são alunos carentes em todos os sentidos... Reveladora e emocionante é a cena da descoberta da sexualidade.
E diante do desconhecimento dos alunos sobre a festa da Hallowen, resolvem ir a cidade próxima de Beaufort para viver o Dia das Bruxas. Mas para isso pedem permissão à matriarca da comunidade, sra. Graves, considerada a abelha-rainha; afinal os alunos nunca sairam da ilha vivendo confinados nesta espécie de gueto. Outra metáfora da educação: quando as crianças estão no barco e usam coletes salva-vidas é como se o professor esteja apontando caminhos, salvando vidas, fazendo os alunos acreditarem em seus sonhos…
Uma cena particularmente linda é quando todos sentem a falta de uma aluninha por uma semana. Conrack descobre que as faltas às aulas da menina ocorriam porque ela não tinha calçados. O que é que Conrack faz: AO CONTRÁRIO DO "DIRETOR" DA ESCOLA DE BRASÍLIA, o vocacionado professor Conrack reúne todos os alunos e pede que fiquem descalços. Vão ao barraco da menininha e a convencem a voltar para a aula. Todos descalços...
Um dos motivos da demissão de Konack ocorre em instância superior, que chega a ser cômico, se não fosse trágico. É porque o professor mostrou "uma vagina de uma mulher nua na sala de aula", quando na verdade se tratava de uma obra clássica de pintura do artista plástico Pablo Picasso. Quer dizer, pior que o desconhecimento do aluno e de toda uma comunidade é o preconceito, a discriminação, o conservadorismo e o desconhecimento de outros educadores que ainda impedem que educadores libertários exerçam a sua profissão...
Não custa repetir: este belo filme foi inspirado numa história real (R.S.O)
PERDOE-ME SE ESTOU OFENDENDO A SUA CRENÇA, A SUA FÉ. MAS É EM NOME DA RACIONALIDADE E DA VERDADE, ESQUECENDO O SOBRENATURAL. MAS SE VOCÊ NÃO QUER ENXERGAR, PACIÊNCIA...
SE VOCÊ SE HORRORIZA COM A CARNIFICINA QUE O EXÉRCITO ISLÂMICO PROMOVE CONTRA NELE QUEM NÃO ACREDITA, DEGOLANDO, INCENDIANDO, AFOGANDO VIA TV...
E, NATURALMENTE, CONDENA TAIS HOMICÍDIOS. PORQUE, ENTÃO, ACEITA E ACHA JUSTO O AFOGAMENTO DE UMA POPULAÇÃO INTEIRA NO EPISÓDIO DO DILÚVIO E A ARCA DE NOÉ SÓ PORQUE ESTÁ NA BÍBLIA E COM AS BÊNÇÃOS DO SENHOR? NÃO SERIA O CASO DO SENHOR, COM O SEU PODER, MODIFICAR A ATITUDE DAS PESSOAS? AFINAL, ELE QUE AS CRIOU...
E QUE NÃO VENHAM COM O ARGUMENTO (falho) DO "LIVRE ARBÍTRIO", POIS LEIA O EXEMPLO: UM CASAL É ASSALTADO E MORTO; SERÁ QUE A LIVRE-ESCOLHA, ISTO É, O "LIVRE-ARBÍTRIO" DO CASAL ERA SER ASSALTADO E MORTO? A IMENSA MAIORIA DAS PESSOAS TÊM MEDO DE LER OU OUVIR QUALQUER COISA QUE CONTESTE A BÍBLIA. MESMO QUE SEJA O MAIOR DOS ABSURDOS, ESTANDO NA BÍBLIA "É VERDADE, ESTÁ CORRETO..." NÃO É BEM ASSIM. SOMOS SERES PENSANTES. TEMOS UM CÉREBRO E NÃO CUSTA FAZÊ-LO FUNCIONAR.
EM NOME DA RACIONALIDADE É BOM LEMBRAR QUE A BÍBLIA CONTÉM MAIS DE UM MILHAR DE HOMICÍDIOS COM AS BÊNÇÃOS DO "ALTÍSSIMO" ... É CLARO QUE TEM
E seu filho unigênito(?!) - Jesus - o grande redentor da Bíblia com a sua participação decisiva no Novo Testamento, pregando a Paz; ainda assim ele é inferior a Platão e Buda eticamente. Leia na Bíblia a passagem da morte dos porcos saracenos que tiveram demônios colocados dentro dos seus corpos, por Jesus, e afogados num rio... Ou a Figueira "seca e amaldiçoada" pelo Mestre por não lhe dar frutos para matar a fome. Ora, Mestre - como lembrou Pedro - "não é epoca de frutos. Veja o que fizeste com a figueira." Esses episódios mostram um ato de maldade ou ignorância. E uma inferioridade ética.
ATENÇÃO!
SE VOCÊ SE HORRORIZA COM A CARNIFICINA QUE O EXÉRCITO ISLÂMICO PROMOVE CONTRA NELE QUEM NÃO ACREDITA, DEGOLANDO, INCENDIANDO, AFOGANDO VIA TV...
E, NATURALMENTE, CONDENA TAIS HOMICÍDIOS. PORQUE, ENTÃO, ACEITA E ACHA JUSTO O AFOGAMENTO DE UMA POPULAÇÃO INTEIRA NO EPISÓDIO DO DILÚVIO E A ARCA DE NOÉ SÓ PORQUE ESTÁ NA BÍBLIA E COM AS BÊNÇÃOS DO SENHOR? NÃO SERIA O CASO DO SENHOR, COM O SEU PODER, MODIFICAR A ATITUDE DAS PESSOAS? AFINAL, ELE QUE AS CRIOU...
E QUE NÃO VENHAM COM O ARGUMENTO (falho) DO "LIVRE ARBÍTRIO", POIS LEIA O EXEMPLO: UM CASAL É ASSALTADO E MORTO; SERÁ QUE A LIVRE-ESCOLHA, ISTO É, O "LIVRE-ARBÍTRIO" DO CASAL ERA SER ASSALTADO E MORTO? A IMENSA MAIORIA DAS PESSOAS TÊM MEDO DE LER OU OUVIR QUALQUER COISA QUE CONTESTE A BÍBLIA. MESMO QUE SEJA O MAIOR DOS ABSURDOS, ESTANDO NA BÍBLIA "É VERDADE, ESTÁ CORRETO..." NÃO É BEM ASSIM. SOMOS SERES PENSANTES. TEMOS UM CÉREBRO E NÃO CUSTA FAZÊ-LO FUNCIONAR.
EM NOME DA RACIONALIDADE É BOM LEMBRAR QUE A BÍBLIA CONTÉM MAIS DE UM MILHAR DE HOMICÍDIOS COM AS BÊNÇÃOS DO "ALTÍSSIMO" ... É CLARO QUE TEM
PÁGINAS BRILHANTES, MAS NÃO QUER DIZER QUE O LEITOR TENHA DE LER AS ESCRITURAS DOCILMENTE, PASSIVAMENTE, SEM DISCUTÍ-LAS COMO QUEREM OS "PASTORES" (A MAIORIA OPORTUNISTAS; MAS ALGUNS POUCOS, MUITO POUCOS, SÃO IDEALISTAS E NÃO PENSAM SÓ EM DINHEIRO...)
E ASSIM COMO O PRISIONEIRO JUDEU QUE DEIXOU ESCRITO EM SUA CELA
NAZISTA "SE EXISTE UM DEUS, ELE TERÁ QUE IMPLORAR PELO MEU PERDÃO",
EXERÇA O SEU DIREITO DE OPINIÃO E ENVIE O SEU PARECER PARA O E-MAIL
E ASSIM COMO O PRISIONEIRO JUDEU QUE DEIXOU ESCRITO EM SUA CELA
NAZISTA "SE EXISTE UM DEUS, ELE TERÁ QUE IMPLORAR PELO MEU PERDÃO",
OS MILHÕES DE ESCRAVOS NEGROS QUE NÃO RECEBERAM A "MISERICÓRDIA
DO SENHOR" EM TODO MUNDO, PRINCIPALMENTE NO BRASIL, TAMBÉM NÃO
CONTARAM COM AS GRAÇAS DO "TODO PODEROSO". FORAM HOMENS
HERÓICOS E DE BOA VONTADE QUE LIBERTARAM OS ESCRAVOS...
HERÓICOS E DE BOA VONTADE QUE LIBERTARAM OS ESCRAVOS...
EXERÇA O SEU DIREITO DE OPINIÃO E ENVIE O SEU PARECER PARA O E-MAIL
TELLERONALDO@GMAIL.COM OU PARA O CELULAR (51) 98474-0903.
CONTO-VERDADE
SEGUNDO RELATOS
DA BÍBLIA
O TODO PODEROSO
DA BÍBLIA
O TODO PODEROSO
Texto registrado
por Ronaldo Soares de Oliveira
O TODO PODEROSO PODERIA TER EVITADO
OS CRIMES BÍBLICOS?
OS CRIMES BÍBLICOS?
Você lê a Bíblia racionalmente? Não. Então leia, principalmente
o Velho Testamento. Ele está cheio brilhantes ensinamentos, mas
também de mortes desnecessárias, genocídios e todas essas
maldades atribuidas ao Todo Poderoso; como o afogamento
de toda a população(!?) que não obedecia ao senhor no episódio
da Arca de Noé. Ou nas 10 pragas inflingidas ao Egito para que
libertasse o "povo de Deus". Ora, se Deus é inquestionavelmete
poderoso, sobrenatural e, acima de tudo, "justo e bondoso" porque
então ele não transformou todas atrocidades bíblicas em atos de
absoluta paz?
Perguntinha que não quer calar: porque a questão do "livre-arbítrio" é
tão mal explicada para os crentes? Livre-arbítrio significa livre-escolha. Logo
façamos o seguinte raciocínio: um assaltante rouba e mata um casal.
Será que a "livre-escolha" do casal era ser roubado e assassinado? E
por que o "livre-arbítrio" teria favorecido o assaltante? Taí uma pergunta
para os "pastores" responder.
E seu filho unigênito(?!) - Jesus - o grande redentor da Bíblia com a sua participação decisiva no Novo Testamento, pregando a Paz; ainda assim ele é inferior a Platão e Buda eticamente. Leia na Bíblia a passagem da morte dos porcos saracenos que tiveram demônios colocados dentro dos seus corpos, por Jesus, e afogados num rio... Ou a Figueira "seca e amaldiçoada" pelo Mestre por não lhe dar frutos para matar a fome. Ora, Mestre - como lembrou Pedro - "não é epoca de frutos. Veja o que fizeste com a figueira." Esses episódios mostram um ato de maldade ou ignorância. E uma inferioridade ética.
Você já analisou os horrores que Deus cometeu segundo o Velho Testamento da Bíblia? Foram centenas de genocídios. Fantasiosos ou não, a não reflexão por parte do povo crente deixa bem claro que uma das origens da violência está nos textos bíblicos vindos de um livro que é lido sem que se discuta seriamente o conteúdo, manipulado por "pastores" e perigosamente pernicioso...
Convictamente sem fé. Decididamente sem fé, numa tarde encontrei uma alegre jovem evangélica de nome Letícia, estudante de música, que convidou-me para uma caminhada cristã, em nome da igreja do "pastor" R R Soares, tentando iluminar a minha alma. Aliás, não vejo qualquer utilidade ou manifestação em uma alma. Acho o Senhor injusto e nada misericordioso e lembro a passagem da Bíblia em que o Senhor condena Eva e Adão pelo pecadinho de haverem comido o fruto proibido. Mas pera lá - pergunto? - se o Senhor é onisciente (sabe de tudo...) por que armar a armadilha do fruto proibido? Sentença nada bondosa para um Deus de luz que, a partir de então, determinou que os homens "comereriam o pão com o suor do seu rosto" e as mulheres, para sempre, "teriam filhos com dor". Sentenças malévolas, indignas de um "amadíssimo Criador".
O que, ironicamente, não se cumpriu, pois as mulheres, hoje, graças à Medicina, via analgésicos, têm parto sem dor. E somente os trabalhadores "comem o pão com o suor do rosto", pois outros homens, os ricos, comem o pão (e o caviar) como suor dos trabalhadores... Logo, a condenação do Senhor não se cumpriu.
"Se existe um Deus, ele terá que implorar pelo meu perdão." Frase encontrada na parede da cela de um prisioneiro judeu num campo de concentração nazista.
Vou mais longe: todas as guerras do Velho Testamento e o famoso "olho por olho; dente por dente" poderiam ser substituídos por um ato de ternura do Senhor que, se quisesse, simplesmente poderia banir toda a violência da face da Terra. E os banhos de sangue acabariam... Nem haveria necessidade de "livre arbítrio", pois as escolhas do Senhor seriam de plena bondade até os nossos dias! E, assim, a sentença seria transformada em "bondade por bondade em dobro"... A propósito, Ele instituiu o "livre arbítrio", mas exterminava quem o desobedessece, segundo muitas narrativas do Velho Testamento... Ele ia mais longe: todas as guerras do Velho Testamento e o famoso "olho por olho; dente por dente" poderiam ser substituídos por um ato de ternura do Senhor que, se quisesse, simplesmente poderia banir toda a violência da face da Terra. E os banhos de sangue acabariam... Nem haveria necessidade de "livre arbítrio", pois as escolhas do Senhor seriam de plena bondade até os nossos dias! E, assim, a sentença seria transformada em "bondade por bondade em dobro..."
ARCA DE NOÉ: UM GENOCÍDIO PREMEDITADO
É o caso, se considerarmos verídica a fantasiosa construção da Arca de Noé! Imagine construir, por mais imensa que seja, uma arca que receba todos os animais da Terra? Pelas mãos de 8 membros da família de Noé (ele, a esposa, os 3 filhos e suas esposas; além de 78 pessoas "tementes à ira de Jeovah"!... A embarcação - segundo a Bíblia - media 137 metros de comprimento; 23 metros de largura e 14 metros de altura. Convenhamos, tais medidas seriam suficientes para abrigar 86 pessoas e todos os animais da Terra, contando com os marítimos? É pura fantasia... mas que serve para manipular os crentes. Ah, e não consta que Noé tenha enfiado um dinossauro lá dentro... Até pela impossível convivência e... o tamanho da fera!? Agora, falemos do lado trágico da lenda: o Todo Poderoso, num momento de costumeira ira, fez chover por 40 dias e 40 noites elevando a água até as mais altas montanhas provocando terrível genocídio! Motivo: porque o povo lhe desobedeceu. E o "livre arbítrio" onde é que fica? Livre arbítrio quer dizer livre escolha; sendo assim, o povo tinha o direito de "desobedecer" o Todo Poderoso... por que não? Então, se o leitor da Bíblia a ler racionalmente (perdão por pedir "racionalidade" a um crente...) verá que o episódio da Arca de Noé foi simplesmente um assassinato em massa como outros tantos perpretados no Velho Testamento... Sem falar nas 10 pragas contra o Egito. Afinal, se ele é onipotente, oniciente, poderosíssimo por que derramar tanto sangue para converter os "pecadores". Não bastaria um ato de divina vontade para convertê-los? Mas Sua opção foi matar...
Já no Novo Testamento, Cristo dá um belo presente para a humanidade no exemplar conteúdo do "Sermão da Montanha." Mas numa passagem bíblica, Jesus se mostra intolerante e até ignorante quando, quando na companhia dos apóstolos, sente fome e ao avistar uma figueira, segue em sua direção e se decepciona ao não encontrar nenhum fruto na árvore. E, por isso, a amaldiçoa, praguejando para que daquela figueira nunca mais nasça um fruto. Pedro intervém e observa: "Mestre, olhe o que fizeste, a figueira ficou seca." E Pedro ainda observa: "Mestre, esta não é época de frutos, por isso não havia nenhum deles..."
E noutra ocasião, ainda segundo a Bíblia, "para expulsar demônios, Cristo os colocou dentro de porcos sarracenos e os fez rolar ribanceira abaixo, projetando-os num rio, afundando-os e arrastando os demônios com os porcos." O que foi uma crueldade com os animais. Racionalmente, dá para perceber que Jesus estava muito abaixo de Buda e Platão em termos éticos e de sabedoria...
Mas quem era ele para discutir estas "dúvidas definitivas"? Apenas lia a Bíblia criticamente... Mas papai-do-céu não deve ter ficado brabo por ele tê-Lo criticado tão francamente. Afinal, a Bíblia foi escrita há milhares de anos por homens ignorantes e de interesses discutíveis. De "homens" sim; porque as mulheres raríssimamente são protagonistas no duvidoso livro. O que torna, sem dúvida, as suas páginas responsáveis pelo machismo...

Mas voltemos ao doce sorriso com que ele foi brindado pela meiga e inteligente Letícia, estudante de música. Talvez compareça à "Marcha da fé" dia 21, convidado por ela. Não com o propósito de curar a perna que submete à hidroginástica e fisioterapia (acha inútil... e falta-lhe fé). Ele pede, então, que Letícia coloque fé na sua vida. Mas não o convide para frequentar magníficos templos; pois Cristo não frequentava templos. Exceto quando Ele distribuiu chibatadas nos vendilhões que lá ganhavam dinheiro. Imagina-se, hoje, as chibatadas que Edir Macedo, Silas Malafaia, R. R. Soares, Valdemiro Santigo e Marco Feliciano levariam?
Atualmente, a velha e solene procissão é substituída pela telinha da TV e cada um gerencia o seu próprio céu, conforme as suas conveniências. Parte da classe média, mais culta, se entrega à terapia e o psicólogo faz a vez do "divino". Os católicos, mais conservadores, são submetidos à difíceis e repetitivas penitências. Já para os evangélicos é mais fácil: eles dizem que todo o pecado vem por alguém "não aceitar Jesus". E mesmo que a pessoa tenha cometido crimes (os mais bárbaros), é só "aceitar Jesus" e o pecador zera completamente as suas faltas! Não é por acaso que muitos bandidos, logo ao chegar ao presidio, conseguem uma Bíblia e procuram o "conforto" de um pastor evangélico...
Enfim, nestes tempos de dias incertos, nada mais vendável do que o produto religião que promete curar todos os males, conquistar dinheiro e amor aos convertidos; um hipermercado da fé onde os "pastores" neopentecostais constroem fortunas...
Letícia, só não posso devolver o teu sorriso com outro sorriso porque isso é impossível para quem nasceu com a cara amarrada. Talvez compareça à caminhada para ser iluminado novamente pelo teu sorriso. E penso, com uma vaga esperança: "isto é realmente maravilhoso minha amiga! Celebremos a mais linda amizade..."
UM OLHAR PROFUNDO
ZELANDO PELO PLANETA
conto regisrado por Ronaldo S. Oliveira
Seu olhar era penetrante. Como duas amêndoas verdes, fitava o interlocutor sem desviar do que via. E era particularmente bonito. Desligada das coisas da beleza, até demais para a idade, ela desconhecia ou fazia força para ignorar o fascínio que exercia... Os pais desconfiavam, desde cedo, as coisas diferentes que Ariê fazia: se alguém perdia um objeto, ela encontrava imediatamente. Ou se
alguém estivesse em dificuldades, ela resolvia com preciosos conselhos.
Sempre foi assim. E com o passar dos anos esta qualidade, despretensiosa, só foi crescendo. Passou num concurso público em 1º lugar e no vestibular repetiu o feito. Para melhorar o orçamento, entrou num concurso televisivo respondendo sobre os feitos de Júlio Verne e chegou à etapa final, entusiasmando-se de vez pela Engenharia que cursou com brilhantismo...
Aí a sua vida deu uma guinada. Engajou-se no movimento ambientalista e a sua principal colaboração não era a agitação, mas a solução de sérios problemas que afetavam a vida na Terra... E, então, mergulhou radicalmente num ambicioso projeto contra os combustíveis fósseis. E o seu alvo principal era, nada menos, que a exploração do Pré-Sal e suas consequências a 7.000 metros de profundidade...
Avessa à publicidade, era discreta em suas pesquisas. Mas chegou um momento em que ser discreta era impossível. E qualquer publicidade, naquele momento, era benvinda. Até porque acabara de descobrir junto a uma rede de ambientalistas internacionais um fato impressionante: a compra, fraudada, do tubo destinado a alcançar o Pré-Sal constituído de material absolutamente inadequado para aquele procedimento. Como consequência da corrupção que envolve a Petrobras, o tubo de baixa qualidade, barato e superfaturado, não aguentaria a pressão a tal profundidade e o desastre seria incontrolável, indescritível, trágico...
Ariê e seus companheiros, com a cumplicidade de parte da tripulação de um navio holandês, subtraiu uma pequena peça do complexo de tubos. E a levou para laboratório. E constataram a qualidade inferior. Pela TV, jornais e internet Ariê tornou-se porta-voz do iminente desastre. Ela disse que a fragmentação do tubo espalharia o petróleo incontrolavelmente por imensa parte do oceano e a retenção do jorro a 7.000 metros seria quase impossível. O mar ficaria apodrecido por décadas e décadas. E o desastre alcançaria outros oceanos...
Como consequência, a ONU exigiu que o governo brasileiro suspendesse o projeto Pré-Sal indefinidamente. Não só por apontar a corrupção que cerca o projeto como uma forma de apoio à deliberação dos países mais industrializados do mundo de acabar com os combustíveis fósseis. "Os peixes e as pessoas no planeta podem respirar aliviadas, por enquanto" - suspira Ariê!
A perseguição foi inevitável: Ariê perdeu os incentivos para as pesquisas que realizava e uma moção patrocinada por parlamentares corruptos chegou a ser esboçada na Câmara dos Deputados definindo as ações dela como de lesa-pátria. Só não vingou porque estudantes e pessoas do povo, de todas as classes, protestaram em seu favor. Ela ficou à margem, dando aulas para sobreviver. Mas o que ela queria era pesquisar. Seu mundo era um laboratório...
Ariê não tinha mais ambiente no Brasil. Pensou, pensou e fez as malas rumando para um país ignorado. Hoje, de onde ela estiver, seus imensos olhos verdes preocupam-se com o planeta e apontam, saudosos, para o Brasil.
PONTEIROS
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira
O desfile de beleza estava terminando. As concorrentes confraternizavam com o público quando, de repente, falta energia por cinco minutos. E quando a energia volta... surpresa! Ninguém mais se reconhece. Todos estão com o mesmo rosto. E ninguém observa o fenômeno ou se dá conta de que houve ali um concurso de beleza.
Partem para as suas casas e encontram as ruas cheias de rostos iguais. E tudo segue normalmente. Ao pagar as passagens no metrô, os passageiros não notam que o rosto do funcionário é o mesmo do resto da fila... Os vagões mostram a visão fantástica de uma uniformidade incrível.
Casais de namorados se beijam e se apalpam e ninguém os reprime. Outros casais transam nas praças sem constrangimento. Não há pudor sobre o corpo ou o que dele façam. Não há repressão aos fatos naturais da vida. A violência é banida das televisões. Ausência absoluta de mendigos. A condição de “sem-teto” sequer está na memória. Não há guardas nas ruas e o trânsito não é policiado. Mas o fluxo de veículos segue tranquilamente. Ninguém excede 50 km por hora, pois os veículos já saem das fábricas marcando esta quilometragem como máxima.
Os exércitos foram abolidos e a paz paira no ar. Cachorros e gatos circulam serenamente e os pássaros desconhecem as gaiolas. As vacas estão felizes, pois as pessoas se tornaram vegetarianas. Os governos inexistem e a palavra corrupção saiu do dicionário. Os povos se governam em harmonia por comunidades colegiadas, reciclando as lideranças. Não há crianças fora da escola. E todas as famílias possuem a própria casa. Tudo corre bem…
Triiinnnn!!! Mas o relógio é implacável. E desperta o meu sonho.
AS MENINAS
DE CABELOS VERDES
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira
Em diversas cidades do mundo o fenômeno é o mesmo. Bebês recém- nascidos são encontrados dentro de caixas de papelão à beira de estabelecimentos comerciais. Uma curiosidade: eles não têm genitálias. Nem qualquer orifício por onde possa sair fezes ou urina. Cirurgiões tentam fazer uma abertura para a saída dos dejetos e têm uma surpresa: sempre que os bebês querem fazer alguma necessidade, uma abertura se abre na sola dos pés. Outra particularidade: as criaturas têm cabelos verdes. E todas falam e andam precocemente. Mais tarde, pelas suas feições, os cientistas definem estas crianças como meninas.
A comunidade científica não sabe o que fazer. São 200 espalhadas pelo mundo. Outra curiosidade: a África tem o maior número delas. E aprendem 100 vezes mais rapidamente do que as crianças normais. Elas rapidamente chegam às melhores universidades, onde são disputadíssimas...
Observou-se que elas possuem uma voz fina e meiga, e quando em situação de risco se torna absolutamente estridente, passando dos 200 decibéis. Já adultas, evitam qualquer contato amoroso com homens normais e têm o poder de auto engravidarem-se. Este ato é secretíssimo, mas, a muito custo, descobre-se que isso ocorre num ritual mental. E por dominarem o conhecimento de modo brilhante, assumem os melhores cargos em qualquer empresa, inclusive em postos de governo e alguns comandos militares...
Um antropólogo, observador atento, inicia uma pesquisa minuciosa das estranhas criaturas. E verifica que os fetos produzidos pela auto gravidez, recebem
grande parte do conhecimento disponível ainda no útero. A gestação também é rápida, de apenas três meses. Outra coisa: aparentemente dóceis e meigas, se provocadas demonstram uma agressividade incontrolável.
Com esses dados, um antropólogo chega à conclusão de que a humanidade está diante de gravíssima ameaça. E faz um longo relatório, escondendo uma cópia com a sua namorada. Depois, dirige-se ao Alto Comando das Forças Armadas e entrega o documento original. No retorno seu carro é fechado numa sinaleira e ele é levado para local ignorado. Lá tentam persuadi-lo a revelar o que continha o documento. Ele não revela. Depois, não aguentando mais a pressão, confessa de forma errada. Uma das criaturas, então, inicialmente dócil, impacienta-se e com voz estridente penetra-lhe o cérebro arrancando-lhe todas as informações que desejam.
Um grupo do que já se convencionou chamar de alienígenas vai ao Alto Comando e exige o relatório. Os poucos militares que têm acesso ao documento recusam-se a colaborar e são dominados tendo de entregá-lo. Depois, por um processo cerebral, elas os fazem esquecer-se de tudo, assim como aconteceu com o antropólogo.
Mas algo incrível acontece. O cientista contara para a namorada o desespero que as criaturas sentem quando suas cabeleiras são tocadas por uma simples caspa ou piolho. A moça, munida desta informação, mostra a cópia do relatório às Forças Armadas e a história da aversão das alienígenas aos piolhos e caspas. O Alto Comando repassa a informação para a ONU que instrui os exércitos das nações ocupadas pelas criaturas. E, armados com simples bombas de fumegação, para o desespero das alienígenas, aspergem milhares de litros de caspa e piolhos concentrados em seus cabelos. E, então, em desesperada agonia elas dilaceraram suas cabeças de tanto coçá-las com suas insuspeitadas garras. E, assim, a humanidade se livra de uma inevitável subjugação...
A LONGA NOITE
DOS MENDIGOS
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira
Era uma pracinha aparentemente calma. Mal cuidada. Com arbustos e plantas elevados a mais de 2 metros. Suficientes para esconder uma pessoa. No caso, muitas pessoas. Eram cinco mendigos que faziam dali a sua morada numa precária cabana. Noite de sábado. O dia mais esperado por eles. 9h45m e nada. Todos apreensivos...
Do outro lado da cidade - a parte rica - cinco mulheres de classe média alta preparam-se para sair. Uma delas ainda encontra obstáculo para a saída. O marido questiona muito para aonde ela vai todos os sábados às 22 horas? Uma das amigas sugere o seguinte: "diga-lhe que você, com as suas amigas, todos os sábados prestam caridade aos sem-teto. E que esta tarefa meritória se estende até às
23h30m." O marido desconfiado acreditou.
Estavam todas livres para “Caridade Semanal", como elas denominavam aqueles sábados. Na pracinha dos mendigos, um alvoroço: cada qual se enfeitava como podia. Banhavam-se na pequena fonte de água limosa esverdeada onde também escovavam os dentes apodrecidos. E a barba, a parte mais sofrida, era feita com aparelhos rombudos encontrados no lixo... Enfim, todos prontos. Ou quase; ainda faltava estender os encardidos lençóis na grama cuidadosamente preparada para a ocasião. Agora, esperavam... esperavam...
De repente, faróis iluminam um trecho da pracinha e logo se apagam. Descem cinco vultos mal delineados pela ausência de iluminação. Mas isto não é obstáculo para os mendigos que logo reconhecem suas voluntárias presas. Cada um apossa-se de sua dama da Caridade Semanal e rolam, enlouquecidos, pelos lençóis... Elas apenas sussurram evitando um barulho maior para não chamar a atenção. Mas os sussurros e os movimentos libidinosos que lhes falta em casa sacodem arbustos e plantas como um temporal...
Finalmente, caem prostradas e satisfeitas. Recompõe-se e, agradecidas, deixam uma generosa esmola para cada um. Entram no carro, e de farol apagado, saem cuidadosamente rumo à estrada. Uma delas comenta: "cumprimos com êxito mais uma Caridade Semanal." E aceleram até o próximo sábado.
UM HOMEM SÓ,
2 TERNOS E
2 TERNOS E
2 CAMISAS
IMPECÁVEIS...
registrado por Ronaldo Soares de Oliveira
registrado por Ronaldo Soares de Oliveira
Alberto recebia a irrisória aposentadoria de um salário mínimo, mas a sua mesa era farta, fartíssima. Ele fizera um curso de culinária que colocava em prática todos os dias só para si. Nunca faltava atum ou carnes nobres (nunca de 2ª), azeite importado, bom vinho e, não raro, caviar...
Por generosidade, em todos os almoços dava boa parte da alimentação para um casal paupérrimo que tinha dois filhos pequenos e moravam num quarto ligeiramente maior que o seu. Sua vida era pacata e duas vezes por semana uma mulher de uns trinta anos passava a noite com ele fazendo sexo...
Três vezes por semana vestia o melhor terno e uma impecável camisa e ia em direção ao maior supermercado da cidade. Ele sabia que havia câmeras vigiando por todos os cantos. Ou, quase todos. Na espaçosa padaria coberta por um toldo que impedia o acesso das câmeras, era ali que Alberto realizava o seu pequeno saque. Ele retirava do carrinho alguns dos poucos produtos e acomodava em bolsos extras o que poderia caber sem ser notado... Depois dirigia-se com elegância ao caixa e pagava por dois ou três artigos bem baratos.
Duas coisas eram fundamentais para o êxito da operação: não ser ganancioso. Nunca levar o que poderia ser notado. Evitar pequenos supermercados, pois eram mais vigiados. Nunca pintar o cabelo branco (o que dava um ar de respeitabilidade). E nunca se esquecer de andar bem trajado. Só uma coisa atrapalhava naquele dia: o excesso de calor, quando o terno e gravata podiam chamar a atenção... Pois foi isso que liquidou o plano de Alberto. O calor. Um excessivo calor de 45% em pleno inverno! Que desarranjo infernal. Alberto estava prestes a ser atendido, quando a caixa avisou que o sistema de ar-condicionado caíra, mas voltaria quando os geradores ligassem. Por uma razão desconhecida os geradores empacaram e já duravam 30 minutos aquela agonia. Os clientes suavam profusamente e as portas elétricas não abriam...
Foi aí que uma garotinha de uns seis anos virou-se para Alberto e sugeriu que ele tirasse o casaco ensopado de suor. Ele relutou, mas acabou concordando. A garotinha tentou ajudá-lo, mas desequilibrou-se com o pesado casaco que caiu quebrando a garrafa de vinho do porto ali escondido. O barulho chamou a atenção da segurança que descobriu todo o ardil. A energia voltou naquele instante e Alberto foi posto na rua com muitos xingamentos... E com a advertência de que não mais voltasse! "Da próxima vez - berraram - vamos chamar a polícia. Não importa que você seja um velho..."
Quando retornou ao seu quartinho encontrou, no corredor, o casal que ele ajudava. E berrou: "não falem comigo! Não me façam perguntas!". E antes de fechar a sua porta, berrou: ”hoje e tão cedo não haverá mais ajuda”. O casaco me dedurou... E o casal não entendeu absolutamente nada.
SULCOS & RUGAS
conto registrado por Ronaldo Soares de Oliveira

Ele era um cara feioso. Desses que nenhuma mulher queria olhar. Por que existe a feiura no mundo, perguntava-se? Conseguia relacionar-se sexualmente apenas com prostitutas. E ainda elas faziam comentários zombeteiros... Ele não aguentava mais tanta discriminação…
Resolveu, então, lançar seu olhar para as mulheres velhas. E viu que estava dando certo. A maior quantidade de sulcos e rugas tornavam as mulheres mais receptíveis. E ele acostumou-se com este relacionamento. Virou um vício.
E a felicidade estava estampada no seu rosto e nas mulheres que com ele tinham relações. E não eram apenas relações sexuais. Eram, sobretudo, afetivas. Antes de penetrar neste universo, ele tinha aversão às rugas e considerava os sulcos, verdadeiras feridas. Mas foi mudando de conceito e passou a contemplar os sulcos como minúsculos rios de onde vertiam lágrimas. E rugas como plácidas planícies com leves acidentes...
E os familiares e os poucos amigos indagavam-lhe de onde vinha tanta felicidade? Ele respondia com naturalidade que "surgia de sulcos e rugas". E que estavam à disposição de qualquer um que abandonasse os preconceitos contra a velhice. E afirmava: "a velhice é bela"! Os conceitos dele caíram na boca do bairro até que uma equipe de TV foi fazer uma reportagem sobre o precário saneamento da região. E ficou sabendo da existência do homem-feio que adorava sulcos e rugas. Não deu outra. A história foi para a TV e logo se tornou viral na internet.
A ideia se espalhou de tal maneira que do bairro ganhou a cidade; o estado e o país inteiro. Logo, logo a publicidade entrou em ação. E propagava produtos que prometiam "os mais belos sulcos e as mais sensuais rugas". A ideia chegou ao exterior e o homem feio teve a agenda lotada por entrevistas de rádio, jornal e tv. E logo virou exemplo de homem sedutor, protagonizando exemplo de conquistas de rugas e sulcos...
O mais surpreendente foi a virada na medicina estética. Os consultórios dos cirurgiões plásticos ganharam uma ávida clientela de mulheres (e de homens) em
busca de rugas e sulcos... A beleza tradicional caiu em desuso cedendo espaço para as novas beldades. E os salões de beleza, antes preocupados em esconder sulcos e rugas, agora faziam o maior esforço para ressaltá-los.
Certo dia o homem-feio deparou-se com uma jovem de antiga beleza que disparou a seguinte pergunta: “vamos sair pela noite? Não te custará nada..." Ao que o homem-feio respondeu secamente: "coloque uns sulcos e rugas na cara e conversaremos..."
A VIDA NÃO VALE A PENA...
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira
Regina adormecera sobre a bancada do computador. Às 7 horas da manhã sua mãe lhe trouxe o café com um belo sanduiche. Regina olhou, olhou e nada bebeu ou comeu. Olhos fixos na tela do micro, ainda ligado, assim prosseguiu por horas. No almoço nem olhou o prato. A mãe e os irmãos notaram, ainda, que ela se entusiasmava quando havia propaganda de bebidas e comida na tela... E ela parecia se satisfazer…
E assim passaram os dias, as semanas, os meses, os anos... Regina sempre com aparência sadia não desgrudava da tela. E quando lhe tiravam, à força, ela desfalecia e seus sinais vitais iam ao nível mais baixo. Chamaram um médico e ele não obteve qualquer diagnóstico. A mãe, por intuição, a reconduzia para o computador. E a jovem voltava à vida. A máquina nunca mais foi desligada... Certa vez quando faltou energia, Regina desmaiou imediatamente. E só se restabeleceu com o retorno da força. Providenciou-se uma bateria potente para que não ocorresse nova falha.
O caso chamou a atenção da comunidade científica e Regina foi transferida para um moderno laboratório onde lhe deram um supercomputador. A máquina em nada lhe mudou os hábitos alimentares. Mas como possuía um vasto programa científico, especialmente de física e matemática, isto aguçou o interesse da jovem. Aliás, não tão jovem assim. Ela já passara dos 40 anos e continuava com o rostinho de menina. Este fato chamava a atenção... E as habilidades que Regina
desenvolveu com a matemática e, especialmente, a física foram espantosas. Ela fazia diagramas de descobertas alarmantes. E um fato continuava intrigante: se "desacoplada" do computador ela desfalecia, mas conservava intacta a memória do que aprendera.
Levaram-na aos mais importantes simpósios, inclusive à NASA, e ela ministrava o seu conhecimento através de um telão, por escrito. Pois não dizia uma palavra. Seus olhos não mostravam expressão alguma. Mas era uma celebridade. Tornou-se visitante das mais importantes universidades do mundo. E chegou a ser alvo de um sequestro fracassado por parte de uma potência internacional... Sua segurança foi redobrada e seu livro mais famoso, "A Vida Não Tem Futuro", vendeu milhões de exemplares tornando sua família muito rica. Mas eis que um cientista muito ligado às atividades dela descobriu algo novo: Regina estava amando... Ou assim parecia. Ela ficava radiante quando surgia na tela a imagem de um rapaz humilde, negro, originado de uma publicidade onde ele aparecia empurrando um carrinho de supermercado para um casal que o aguardava na porta do carro. Ela salvara esta cena e a repetia incansavelmente.
E revelou no seu diário íntimo a seguinte frase: "Que cor bonita ele tem! É todo ternura... Como será a vida dele quando larga o carrinho?" E tentou, em vão, perseguir a rotina do carregador. O cientista que a observava criou, então, um holograma fiel do entregador o que emocionou muito Regina... Ela ficou encantada e, certa madrugada, na companhia do holograma deixou o computador pela primeira vez. E andaram por todo o laboratório. Ligou um aparelho de som que tocou a valsa Danúbio Azul repetidas vezes e bailou graciosamente com o holograma. Dançou... Dançou... e caiu exausta. De manhã, quando abriram o laboratório, encontraram Regina desfalecida e não conseguiram reanimá-la. O holograma estava curvado sobre ela como que desolado. Ela estava morta e com o rosto irreconhecível. Incrivelmente enrugado. Encarquilhado, com o peso de 165 anos.
UM MORTO PRECAVIDO,

MAS NEM TANTO
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira
Toda a vida Alfredo provou ser um cara precavido. Até demais. Embora jovem, não havia passado dos 40, possuía dois seguros por morte. Para proteger a família, dizia. Mas o exagero maior ele cometeu três meses antes da sua morte. Morte, aliás, provocada por um detalhe.
Alfredo tinha pavor de ser enterrado vivo. Leu tudo sobre doenças que deixavam as pessoas desacordadas, como mortas, para ressuscitar depois. Fez, então, inúmeras experiências com potentes celulares que pudessem em suas ligações, ultrapassar quaisquer barreiras: túneis, subsolos, morros, banheiros de parede dupla, minas profundíssimas, etc. Tudo para pedir socorro. E um dos aparelhos - modelo japonês ultramoderno - passou em todos os testes.
O segundo passo foi a construção do caixão, confortavelmente acolchoado e provido de um pequeno sistema de ar-condicionado. E mais: provisão de alimentos desidratados, desses que os astronautas usam (para um mês); reserva de água, oxigênio e lanterna com pilhas “intermináveis”... Enfim, algo bem planejado. Pra nenhuma morte botar defeito.
Resumindo, a tal da "Síndrome da Falsa Morte" aconteceu. Alguém sugeriu a doação dos órgãos de Alfredo, que tudo ouvia, mas estava inerte, estremeceu! Nãooo façam isso! Pensou inutilmente... Mas a ideia logo foi afastada apostando na crença da ressureição de Alfredo e em socorrer-se das providências por ele elaboradas...
A missa foi de corpo presente e Alfredo gostou das palavras do padre, menos quando o sacerdote disse: "segue em paz para os braços do Senhor, meu filho!" Alfredo tentou se mexer, mas não conseguia falar um ai! No cemitério, suportou mais uma churumela de discursos. Foram cinco, fora a fala do padre. "Quanta mentira! Não fui tão bonzinho assim." Irritou-se, terrivelmente, quando sua mulher discursou, em lágrimas, sendo amparada pelo vizinho Joaquim - que ele sempre
desconfiou estar de olho em Josefina... Canalha! Pensou... O pior foi aguentar o discurso da sogra ("aquela jararaca!") que sempre o infernizou...
Finalmente, baixaram o caixão. Ele exultou quando ouviu de um dos coveiros que o cimento acabara. Isto é ótimo, "quanto mais tempo eu estiver na superfície melhor, pois posso ressuscitar e nem preciso usar o celular. Meto o pé na tampa do caixão e volto à vida..." Mas não foi assim. O cimento foi logo providenciado e Alfredo foi engolido por sete palmos de terra...
Passaram-se cinco, seis horas e Alfredo continuava inerte entregue à "Síndrome da Falsa Morte". Mas eis que a síndrome acaba! Que alívio! Alfredo toca no seu corpo para certificar-se de que estava vivo; come um pouco da comida desidratada (pois a fome era muita); bebe um suco esquisito, cuja fórmula disseram- lhe pertencer à NASA. E preparou-se para telefonar.
Tentou. Tentou. Tentou. E nada. Já preocupado, ligou para todos os amigos e para polícia. Igualmente, NADA. Começou a se preocupar. Acendeu o isqueiro, pois a energia da lanterna acabara. Desesperou-se! O oxigênio já estava rarefeito... No mesmo momento, na superfície, os noticiários de rádio e TV anunciavam que finalmente haviam inventado um sistema altamente confiável que impedia, de modo definitivo, as ligações de celulares para fora dos muros das prisões...
E o cemitério estava localizado exatamente no lado da penitenciária que adotou o eficaz sistema. E ALFREDO DEFINITIVAMENTE MORREU.
FRANJINHA
conto autobiográfico registrado por Ronaldo S. Oliveira
Iara tinha a mesma simpatia da atriz Anne Hathaway
Fim da tarde na Praça da Alfândega, Porto Alegre. Começa a chover fininho. Eles se conheceram da maneira mais imprevisível. Ela perguntou-lhe onde ficava a Casa de Cultura Mário Quintana e ele apontou para dois quarteirões. E, em seguida, fez-lhe uma sugestão; ou mais precisamente a dica de um filme: "As Mulheres do 6º Andar." Ela o interrompeu: "Acho interessante, mas sou turista, estou a passeio, mas prometo assistir pela internet. Como é mesmo o seu nome?” “Ronaldo e o seu?" "Iara, de São Paulo, e estou louca pra conhecer Gramado para onde viajarei amanhã..."
Ele a levou à Casa de Cultura Mário Quintana e ela ficou maravilhada com o prédio neoclássico, as exposições, as salas de cinema todas com filmes de qualidade, mas que, infelizmente, as sessões já haviam começado. Bateu muitas fotos com um tablet e pediu que ele registrasse uma ao lado do poeta Mário Quintana que olhava semi-risonho de um pedestal de muita simplicidade. Foram belos momentos. Finalmente, sairam e sentaram-se num dos muitos barzinhos da Rua da Praia bem pertinho da Casa de Cultura. Foi aí que ele apelidou-a de "Franjinha", inspirado na graciosa franja que teimava cair sobre os seus olhos muito meigos. Ela gostou do apelido e prometeu conservá-lo. Possuía um bom emprego, era culta e casada com um homem de 50 anos, com
2 filhos e nada ciumento.... Não quisera filhos, e optou por viajar sempre no período de férias. Conhecera Santa Catarina, Curitiba, um pedacinho do Nordeste, Manaus e breve quer ir à Bahia, ao Uruguai e ao Chile. Se bem que o sonho mesmo é curtir a Turquia e a Grécia. Paris, Londres ou os EUA nem pensar... Prefere países bases da civilização. Tão embevecido ele estava com aquele breve relacionamento que nem perguntou pela sua profissão. Agora, ele tem um palpite: psicóloga ou antropóloga.
A "saideira" foi num gracioso barzinho no alto do viaduto da Avenida Borges de Medeiros, onde comeram um delicioso feijãozinho (especialidade do bar). E deixaram seus nomes num livro oferecido pela casa. Lá está até hoje: "Franjinha & Ronaldo passaram por aqui"
Ele, vivendo um relacionamento cordial com uma mulher com quem não faz sexo há três anos (ela sofre de uma síndrome que nega o sexo). Vivem em quartos separados como "irmãozinhos" e tem 3 filhas adultas. Pelo celular colocou Franjinha em contato com uma das filhas que terminara de ser aprovada no vestibular. Ela a felicitou e incentivou-a muito. Depois, passearam e conversaram com muitas pessoas nas ruas que ela achou muito espontâneas.
Ela era magrinha, sem maquiagem ou tatuagem aparentes e não era exatamente bonita. Mas o jeito manso de se expressar, o papo agradável sem afetação e a franjinha tocando insistentemente os olhos muito negros faziam-na encantadora. Fora dos padrões…
Ele ainda mancava a perna direita por conta de um AVC que tivera. Estava precocemente aposentado e fazia fisioterapia e hidroginástica com obstinada aplicação. Usava uma bengala discreta, de junco, idêntica à dos exploradores ingleses dos filmes onde os britânicos metiam o pé. E era um homem relativamente feliz escrevendo ficção. E textos como freelancer…
Por constrangimento ou timidez ele ocultava que a queria, também, na cama. Mesmo que não houvesse sexo... Apenas que ficassem lado a lado olhando para o teto do hotel. Eram 22 horas. Ela tinha exatos 30 minutos para voltar ao hotel e arrumar a mala. Despediram-se e ela partiu, apressadamente, sem saber que poderia ter presenteado este homem solitário com algum momento de afeto apenas olhando para o teto...
PALAVRAS...
conto registrado por Ronaldo S. Oliveira
Escolheu ao acaso um nome no Facebook. Clicou justamente um que tinha o desenho de uma pomba e não de uma figura humana. Abaixo do desenho, apenas o nome Jaqueline. Ele não tinha preconceito de beleza ou qualquer outro preconceito. Não exigiu uma foto de Jaqueline. E começaram a se corresponder.
Tornaram-se confidentes seis dias por semana. Um diazinho livre para repensar o que comentaram... Falavam de tudo: felicidade e tristeza de cada um. Ele também jamais enviou uma foto. Iam se identificando cada vez mais, só por palavras. Ambos adoravam o bom cinema, especialmente Chaplin, Tarantino e o brasileiro Glauber Rocha. Curtiam o cinema francês antigo e moderno. Eram fãs da Juliette Binoche. Só discordavam em religião: ele era ateu (ou à toa, como dizia). Ela agnóstica. Mas ambos acreditavam que, após a morte, as consciências se encontrariam na eternidade. Nada com sabor de religião...
Passaram-se 3 anos. Véspera de ano novo. Chegou uma mensagem dele. Sofrida, reticente. Dizia em 14 palavras: “gostaria de te conhecer e ir à tua cidade... Te amo... te vejo na eternid...” A frase ficou incompleta. Na outra face do Facebook, ela digitou: “lamento nunca ter visto o teu rosto. Breve nos encontraremos na eternidade... As nossas consciências jamais serão deletadas.” E fechou a página para sempre.
ATENÇÃO! O CONTO A SEGUIR TEM PROVOCADO INÚMEROS E-MAILS
DEMONSTRANDO UMA IRA INJUSTIFICÁVEL DE PESSOAS QUE NÃO CONCORDAM
COM O TEXTO. FELIZMENTE, ALGUNS INTERNAUTAS - uma minoria - APROVOU A
RACIONALIDADE DA NARRATIVA. É BOM LEMBRAR QUE A BÍBLIA CONTÉM MAISDE UM MILHAR DE HOMICÍDIOS COM OS APLAUSOS DO "ALTÍSSIMO"... É CLARO
QUE TEM PÁGINAS BRILHANTES, MAS NÃO QUER DIZER QUE O LEITOR TENHA
DE LER AS ESCRITURAS DOCILMENTE, PASSIVAMENTE, SEM DISCUTÍ-LAS COMO
QUEREM OS "PASTORES" (A MAIORIA OPORTUNISTAS; MAS ALGUNS POUCOS,
MUITO POUCOS, SÃO IDEALISTAS E NÃO PENSAM SÓ EM DINHEIRO...) E ASSIM COMO O PRISIONEIRO JUDEU QUE DEIXOU ESCRITO EM SUA CELA
"SE EXISTE UM DEUS, ELE TERÁ QUE IMPLORAR PELO MEU PERDÃO", OS MILHÕES
DE ESCRAVOS NEGROS QUE NÃO RECEBERAM A MISERICÓRDIA DO "SENHOR" EM
TODO MUNDO, PRINCIPALMENTE NO BRASIL, TAMBÉM NÃO CONTARAM COM AS
GRAÇAS DO "TODO PODEROSO". FORAM HOMENS HERÓICOS E DE BOA VONTADE
QUE LIBERTARAM OS ESCRAVOS...
EXERÇA O SEU DIREITO DE OPINIÃO E ENVIE O SEU PARECER PARA O E-MAIL
TELLERONALDO@GMAIL.COM OU MESMO PARA O CELULAR (51) 98474-0903. Grato!
O TODO PODEROSO
É UM GENOCIDA
Conto registrado
por Ronaldo Soares de Oliveira
Esta narrativa foi motivada pelo encontro que tive com uma jovem evangélica que me convidou para participar de uma caminhada de fé. E o áudio que o polivalente Nando Moura, autor de polêmicos vídeos e que dessa vez discutiu - com a mesma veemência - o explosivo tema "Deus". E mil vezes falou do arrependimento. Para não me alongar, pois não tenho a formação do Nando - sou apenas um curioso - digo tão somente baseado na minha racionalidade: quem tem que se arrepender - e muito! é o Todo Poderoso. E repetindo a sofrida frase do prisioneiro judeu num campo de concentração nazista, deixada escrita em sua cela: "Se existe um Deus, ele terá que implorar pelo meu perdão."
Você já analisou os horrores que Deus cometeu segundo o Velho Testamento da Bíblia? Foram centenas de genocídios. Fantasiosos ou não, a não reflexão por parte do povo crente deixa bem claro que uma das origens da violência está nos textos bíblicos vindos de um livro que é lido sem que se discuta seriamente o conteúdo, manipulado por "pastores" e perigosamente pernicioso...
Era convictamente um cara sem fé. Decididamente sem fé. Mas numa tarde a sorridente jovem evangélica Letícia , estudante de música , convidou-o para uma caminhada cristã tentando iluminar a sua alma. Aliás, nem em alma ele acreditava. Achava o Senhor injusto e nada misericordioso: e lembrava uma passagem da Bíblia em que o Senhor condenava Eva e Adão pelo pecadinho de haverem comido o fruto proibido. Mas pera lá, se o Senhor é onisciente (sabe de tudo...) por que armar a armadilha do fruto proibido? Sentença nada bondosa, para um Deus de luz, que determinou para os homens "comerem o pão com o suor do seu rosto" e as mulheres, para sempre, "terem filhos com dor". Sentenças malévolas, indignas do "amadíssimo Criador".
O que, ironicamente, não se cumpriu, pois as mulheres, hoje, graças à Medicina, via analgésicos, têm parto sem dor. E somente os trabalhadores "comem o pão com o suor do rosto", pois outros homens, os ricos, comem o pão (e o caviar) com o suor dos trabalhadores... Logo, a condenação do Senhor não se cumpriu.
"Se existe um Deus, ele terá que implorar pelo meu perdão. '' Frase encontrada na parede da cela de um prisioneiro judeu num campo de concentração.
Ele ia mais longe: todas as guerras do Velho Testamento e o famoso "olho por olho; dente por dente" poderiam ser substituídos por um ato de ternura do Senhor que, se quisesse, simplesmente poderia banir toda a violência da face da Terra. E os banhos de sangue acabariam... Nem haveria necessidade de "livre arbítrio", pois as escolhas do Senhor seriam de plena bondade até os nossos dias! E, assim, a sentença seria transformada em "bondade por bondade em dobro"... A propósito, Ele instituiu o "livre arbítrio", mas exterminava quem o desobedessece, segundo muitas narrativas do Velho Testamento... Ele ia mais longe: todas as guerras do Velho Testamento e o famoso "olho por olho; dente por dente" poderiam ser substituídos por um ato de ternura do Senhor que, se quisesse, simplesmente poderia banir toda a violência da face da Terra. E os banhos de sangue acabariam... Nem haveria necessidade de "livre arbítrio", pois as escolhas do Senhor seriam de plena bondade até os nossos dias! E, assim, a sentença seria transformada em "bondade por bondade em dobro...".
ARCA DE NOÉ: UM GENOCÍDIO PREMEDITADO
É o caso, se considerarmos verídica a fantasiosa construção da Arca de Noé! Imagine construir, por mais imensa que seja, uma arca que receba todos os animais da Terra? Pelas mãos de 8 membros da família de Noé (ele, a esposa, os 3 filhos e suas esposas; além de 78 pessoas "tementes à ira de Jeovah"!... A embarcação - segundo a Bíblia - media 137 metros de comprimento; 23 metros de largura e 14 metros de altura. Convenhamos, tais medidas seriam suficientes para abrigar 86 pessoas e todos os animais da Terra, contando com os marítimos? É pura fantasia... mas que serve para manipular os crentes. Ah, e não consta que Noé tenha enfiado um dinossauro lá dentro... Até pela impossível convivência e... o tamanho da fera!?
Agora, falemos do lado trágico da lenda: o Todo Poderoso, num momento de costumeira ira, fez chover por 40 dias e 40 noites elevando a água até as mais altas montanhas provocando terrível genocídio! Motivo: porque o povo lhe desobedeceu. E o "livre arbítrio" onde é que fica? Livre arbítrio quer dizer livre escolha; então o povo tinha o direito de "desobedecer" o Todo Poderoso... Por que não? Então, se o leitor da Bíblia a ler racionalmente (perdão por pedir "racionalidade" a um crente...) verá que o episódio da Arca de Noé foi simplesmente um assassinato em massa como outros tantos perpretados no Velho Testamento...
Agora, falemos do lado trágico da lenda: o Todo Poderoso, num momento de costumeira ira, fez chover por 40 dias e 40 noites elevando a água até as mais altas montanhas provocando terrível genocídio! Motivo: porque o povo lhe desobedeceu. E o "livre arbítrio" onde é que fica? Livre arbítrio quer dizer livre escolha; então o povo tinha o direito de "desobedecer" o Todo Poderoso... Por que não? Então, se o leitor da Bíblia a ler racionalmente (perdão por pedir "racionalidade" a um crente...) verá que o episódio da Arca de Noé foi simplesmente um assassinato em massa como outros tantos perpretados no Velho Testamento...
Já no Novo Testamento, Cristo dá um belo presente para a humanidade no exemplar conteúdo do "Sermão da Montanha." Mas numa passagem bíblica, Jesus se mostra intolerante e até ignorante quando, quando na companhia dos apóstolos, sente fome e ao avistar uma figueira, segue em sua direção e se decepciona ao não encontrar nenhum fruto na árvore. E, por isso, a amaldiçoa, praguejando para que daquela figueira nunca mais nasça um fruto. Pedro intervém e observa: "Mestre, olhe o que fizeste, a figueira ficou seca." E Pedro ainda observa: "Mestre, esta não é época de frutos, por isso não havia nenhum deles..."
E noutra ocasião, ainda segundo a Bíblia, "para expulsar demônios, Cristo os colocou dentro de porcos sarracenos e os fez rolar ribanceira abaixo, projetando-os num rio, afundando-os e arrastando os demônios com os porcos." O que foi uma crueldade com os animais. Racionalmente, dá para perceber que Jesus estava muito abaixo de Buda e Platão em termos éticos e de sabedoria...
Mas quem era ele para discutir estas "dúvidas definitivas"? Apenas lia a Bíblia criticamente... Mas papai-do-céu não deve ter ficado brabo por ele tê-Lo criticado tão francamente. Afinal, a Bíblia foi escrita há milhares de anos por homens ignorantes e de interesses discutíveis. De "homens" sim; porque as mulheres raríssimamente são protagonistas no duvidoso livro. O que torna, sem dúvida, as suas páginas responsáveis pelo machismo...
Mas voltemos ao doce sorriso com que ele foi brindado pela meiga e inteligente Valquíria, estudante de música. Talvez compareça à "Marcha da fé" dia 21, convidado por ela. Não com o propósito de curar a perna que submete à hidroginástica e fisioterapia (acha inútil... e falta-lhe fé). Ele pede, então, que Valquíria coloque fé na sua vida. Mas não o convide para frequentar magníficos templos; pois Cristo não frequentava templos. Exceto quando Ele distribuiu chibatadas nos vendilhões que lá ganhavam dinheiro. Imagina-se, hoje, as chibatadas que Edir Macedo, Silas Malafaia, R. R. Soares, Valdemiro Santigo e Marco Feliciano levariam?
Atualmente, a velha e solene procissão é substituída pela telinha da TV e cada um gerencia o seu próprio céu, conforme as suas conveniências. Parte da classe média, mais culta, se entrega à terapia e o psicólogo faz a vez do "divino". Os católicos, mais conservadores, são submetidos à difíceis e repetitivas penitências. Já para os evangélicos é mais fácil: eles dizem que todo o pecado vem por alguém "não aceitar Jesus". E mesmo que a pessoa tenha cometido crimes (os mais bárbaros), é só "aceitar Jesus" e o pecador zera completamente as suas faltas! Não é por acaso que muitos bandidos, logo ao chegar ao presidio, conseguem uma Bíblia e procuram o "conforto" de um pastor evangélico...
Enfim, nestes tempos de dias incertos, nada mais vendável do que o produto religião que promete curar todos os males, conquistar dinheiro e amor aos convertidos; um hipermercado da fé onde os "pastores" neopentecostais constroem fortunas...
O cara sem fé só não pode devolver o sorriso com outro sorriso porque isso é impossível para quem nasceu com a cara amarrada. Talvez compareça para ser iluminado novamente pelo sorriso de Valquíria. E pensa, com uma vaga esperança: "isto é realmente maravilhoso minha amiga! Celebremos a mais linda amizade..."